sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Alunos especias, professores especiais?


Quando cheguei no primeiro dia de aula em uma turma de 5ª série e me deparei com uma aluna com paralisia cerebral fiquei assustada confesso,mas, depois desta surpresa inicial pensei que como educadora esta seria uma oportunidade maravilhosa. Durante o contato inicial fiquei sem saber como agir, afinal de contas a graduação não te habilita para esta convivência. Quando estudamos as disciplinas pedagógicas não estudamos como proceder em casos como estes. Se o aluno apresentar interesse nesta área da educação ele deverá procurar um curso que o habilitará especificamente o que pode não ocorrer por vários motivos. Hoje faço curso de especialização em História da África e Cultura Afro-Brasileira e não optei por um em Educação Especial por uma questão de custo e não metodológica e sinto falta desta habilitação para lidar com Liliane, a aluna especial que citei no inicio. Ela acompanha o conteúdo tranquilamente, só exigindo uma atenção especial no momento da avaliação, isto porque ela não acompanha o ritmo acelerado dos seus colegas, precisa de mais tempo e atenção, o que é adaptado não só por mim mais por outros professores também.
Às vezes questiono se o método utilizado está correto, se é o melhor caminho,mas, quando a observo atenta, participando das aulas tenho a certeza que estou no caminho certo. Sempre tenho a atenção de conversar com outros profissionais sobre o que acontece na minha sala de aula para uma troca de experiências e em uma dessas conversas Noemi professora do 2º ano do fundamental I relatou a experiência dela com Yuri um aluno especial (autista) quando ela estava ensinando a classe durante a aula de matemática divisão, ela utiliza o lúdico durante suas explicações e sem surpresa alguma ela disse que ele foi um dos alunos que mais assimilou o assunto. O que mais chamou minha atenção nesta conversa é que em nenhum momento ela o subestimou, ao contrário, ela disse que desde que estimulando da maneira correta ele irá produzir qualquer coisa que o professor proponha e para isto o lúdico tem papel fundamental. Não nos faz bem vestirmos os personagens de coitadinhos, temos que ir em frente e estimulá-los a produzir como qualquer outro aluno da classe. E esta experiência acontece em uma escola de periferia o que para muita gente pode parecer uma surpresa.
Em outra conversa que mais tarde eu transcreveria para servir de base desta postagem, uma outra professora chamada Ana Carla que trabalha com alunos com Síndrome de Down também no 2º ano do Fundamental II na escola Lápis de Cor relatou sua experiência com estes alunos da seguinte maneira: "Desenvolver atividades com crianças portadoras de necessidades especiais (Síndrome de Down) não é tão diferente como com as crianças ditas aparentemente "normais". O professor precisa respeitar os limites de cada aluno pra que os seus objetivos sejam alcançados. Inserir jogos e brincadeiras é muito importante pois, os mesmos possuem uma inquietação natural sendo necessário prender a atenção deles de alguma forma tornando o aprendizado prazeroso. Gabriela (uma das alunas às quais me refiro) é uma criança bastante amorosas ao mesmo tempo agressiva, o que é característica que todos os dows possuem. porém, é bastante gratificante ensinar crianças especiais pois você aprende constantemente. A construção do conhecimento destas crianças precisa apenas de uma visão especial do professor pois existe uma necessidade de ver, pegar, sentir, construir, para melhor compreender, daí a importância da utilização do lúdico na aprendizagem."
Isto é estimulante pois passamos a compreender que a nossa prática pode fazer a diferença e pode nos fazer alcançar o objetivo maior que é a construção do conhecimento de todos os tipos de alunos. O professor não pode ter receios em experimentar, criar, enfim, em praticar a educação e no final o saldo será uma experiência a mais para troca em seu "baú" de experiências.

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